Independência musical e downloads pagos combinam?

Estou assistindo agora o programa “Que Rock é esse?” do MultiShow (sim, a globo também pode parir coisas mas ou menos decentes) e o episódio em questão trata da nova geração do Rock independente no Brasil passando também pelo tema da independências musical. No programa são mostradas dês de bandas realmente independentes, até figurões da música popular brasileira (que eu uso aqui como sinônimo de pop nacional) que já experimentaram, ou ainda experimentam a independência músical, como Lulu Santos, Lobão e Rita Lee. Todos enfatizando como o mercado músical está mudando, que as gravadoras estão perdendo (e todos parecem gostar desse fato), que todo mundo baixa loucamente sem pagar nada nem respeitar nada (e que isso é o lado ruim dessa revolução) e todo aquele discurso que os artistas tiozões adoram fazer sem saber nada sobre o assunto pensando que são “in”.
Assistindo o programa e ouvindo tanta besteira com cara de Globo (“lá na Europa e nos Estados Unidos, onde as pessoas são civilizadas e acostumadas a pagar pelo que consomem o download pago já existe” – minha amnésia seletiva apagou para sempre o autor dessa afirmação imbecil) tive uma idéia que poderia dar muito certo aqui na terra da jabuticaba… Esses figurões da música poderiam fundar, ou ajudar a criar, uma loja virtual no Brasil, que ofereceria produções independentes e/ou as que tem apoio de um ou outro patrocinador mas não tem rabo preso com gravadora ou distribuidora e quer mostrar seu trabalho.

Com um conceito totalmente diferente da ITMS (Itunes Music Store) que hoje está penando com as distribuidoras e gravadoras com discussões sobre preços e DRM, enquanto que essas, com medo da soberania da Apple na música digital se agarram a qualquer competidor (o último, a Amazon Music Store).
Uma loja no molde aqui proposto teria a vantagem de lidar diretamente com os artistas, mostrando para eles um modelo de negócio em que eles como independentes só tem a ganhar. Além de receberem diretamente pelo seu trabalho, ofereceriam este em larga escala e a baixos custos, sem ter que passar por aprovação de gravadora ou produtora para análise do conteúdo. A divulgaçõo ocorreria diretamente no site (com listas relacionadas – quem ouve isso também ouve…- e listas de mais vendidas e mais ouvidas) e na internet pelos meios que a banda já utiliza, já que muitas bandas do cenário independente nacional já utilizam myspace, por exemplo.
Além de música o site poderia oferecer outras formas de mídia como: livros de novos autores, no formato PDF a preços bem baixos, ou até mesmo de graça (já que literatura é um campo muito mais complicado de fazer sucesso do que música, e as vendas poderiam vir de futuras edições impressas), podiobooks – onde o autor narra seu próprio livro, que é distribuído como um podcast – quadrinhos em cbr (que é quase padrão em quadrinhos na web) e curtas como os do Portacurtas em alta resolução ou no formato pronto para seu iPod, qualquer coisa além de R$0 já é lucro para os produtores desses filmes que não ganham nada no site da Petrobras e sempre tem dificuldades para produzir novos filmes. Quem não gostaria de ter uma versão de alta qualidade de Ilha das Flores, por exemplo?
E como este site conseguiria dinheiro? De diversas formas, dês do óbvio de cobrar uma taxa em cima da música vendida, até os ganhos com propaganda dentro do site, que dependendo do volume de visitantes, poderia bancar boa parte do custo operacional, diminuindo a margem sobre a música vendida, ou até mesmo baixando os preços das faixas.
Volto agora à citação de autor desconhecido, falando que nós brasileiros não compramos músicas por não sermos civilizados (acredito que outros artistas dividem essa opinião) respondo, existe alguma forma decente para se comprar música nacional ou internacional legalmente no Brasil? Existem algumas lojas online, com certeza, mas elas buscam o consumidor de massa, e esta massa não é composta por geeks que fazem downloads de álbuns inteiros, mas muito mais de pessoas que compram CD’s piratas e muitas vezes não tem idéia do que é baixar uma música, ou quando tem, não sai do ‘clica no kazinho azul e verde e digita o nome da musica no search, se não achar é pq não da pra baixar’. Essa revolução, assim como a revolução do mp3 tem que começar com os nerds, com mídia que atraia esse público, que já compra confortavelmente pela internet, que sabe que tudo se encontra com soulseek+emule+torrent e que mesmo assim pagaria um valor decente por músicas que são difíceis de achar, geralmente com baixa ou nenhuma qualidade além de não ajudar o artista. Acredito que a música independente e a organização de um mercado de MP3 no Brasil têm muito o que dividir.

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