Independência musical e downloads pagos combinam?

Estou assistindo agora o programa “Que Rock é esse?” do MultiShow (sim, a globo também pode parir coisas mas ou menos decentes) e o episódio em questão trata da nova geração do Rock independente no Brasil passando também pelo tema da independências musical. No programa são mostradas dês de bandas realmente independentes, até figurões da música popular brasileira (que eu uso aqui como sinônimo de pop nacional) que já experimentaram, ou ainda experimentam a independência músical, como Lulu Santos, Lobão e Rita Lee. Todos enfatizando como o mercado músical está mudando, que as gravadoras estão perdendo (e todos parecem gostar desse fato), que todo mundo baixa loucamente sem pagar nada nem respeitar nada (e que isso é o lado ruim dessa revolução) e todo aquele discurso que os artistas tiozões adoram fazer sem saber nada sobre o assunto pensando que são “in”.
Assistindo o programa e ouvindo tanta besteira com cara de Globo (“lá na Europa e nos Estados Unidos, onde as pessoas são civilizadas e acostumadas a pagar pelo que consomem o download pago já existe” – minha amnésia seletiva apagou para sempre o autor dessa afirmação imbecil) tive uma idéia que poderia dar muito certo aqui na terra da jabuticaba… Esses figurões da música poderiam fundar, ou ajudar a criar, uma loja virtual no Brasil, que ofereceria produções independentes e/ou as que tem apoio de um ou outro patrocinador mas não tem rabo preso com gravadora ou distribuidora e quer mostrar seu trabalho.
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Fotografia e Open Source

Daguerre com

Quando pensamos em fotografia, raramente levamos em consideração um dos aspectos mais importantes para sua difusão e evolução como processo: o fato de ter sido registrada como patrimônio da humanidade.

A fotografia foi inventada por varias pessoas em lugares diferentes e distantes, uma não tendo o conhecimento do trabalho da outra. Um fato curioso mas possível Um de meus blogs de tecnologia preferidos falou sobre a invenção paralela de um recurso de interface gráfica por empresas diferentes. Alguns dos inventores da fotografia foram:

Hércules Florence (em 1832, em Campinas, São Paulo (!!! eu acho até normal um cara no Brasil inventar uma coisa antes de todo mundo e não ser reconhecido… lembra do Santos Dumont???) criou um processo para reproduzir rótulos (para leigos pode ser comparado com algo do tipo xerox, mas com processamento químico)

Nicéphore Niépce e Louis Daguerre (em 1839, em Paris, resultando no daguerreótipo, que produzia imagens formadas por partículas de mercúrio sobre uma superfície espelhada de prata num original único incapaz de gerar cópias)
William Fox Talbot (em 1840, na Inglaterra, criou o calótipo que inicialmente era mais rápido que o daguerreótipo (precisava de menos tempo de exposição para gerar uma imagem, mesmo assim algo perto de um minuto) e capaz de gerar várias cópias a partir de um original)

(mais informação aqui)

O que diferenciou estes processos? O processo de Florence não foi difundido, talvez por falta de visão de mercado dele próprio; Talbot registrou seu processo exigindo que quem o utilizasse o pagasse pelo uso; Daguerre vendeu os direitos de uso para o governo da França, que tornou o processo patrimônio da humanidade, portanto livre para o uso de qualquer pessoa, sem necessidade de pagamento dos direitos. O resultado: o daguerreótipo foi utilizado e difundido no mundo todo, o calótipo foi usado somente na Inglaterra, mesmo assim com alto índice de pirataria, o processo de Florence, bom… simplesmente não rolou.

A difusão do daguerreótipo resultou na releitura de seu processo por várias pessoas, gerando uma infindade de processos diferentes (alguns deles listados e exemplificados com a possibilidade de visualização de imagens aqui) e logo em evolução tecnológica (não preciso falar que da fotografia veio o cinema, e do cinema a televisão e assim vai…). Aí que entra a idéia de open source: tornar a estrutura dos softwares aberta aos usuários, de forma que estes possam desenvolver o programa a partir do que já foi feito, buscando como resultado o aperfeiçoamento da relação entre o homem e os computadores, isso tudo gratuitamente, facilitando também a difusão destes softwares.

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